Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!
QUERO APROVEITAR 🤙Operação Resgate de Metas: 63% OFF no 12Min Premium!
Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!
Este microbook é uma resenha crítica da obra:
Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.
ISBN:
Editora: 12min
Nos últimos dias de março de 2026, o governo dos Estados Unidos chegou a um ponto sem volta. As equipes técnicas do Departamento de Estado concluíram todo o trabalho necessário para colocar o Primeiro Comando da Capital, o PCC, e o Comando Vermelho, o CV, na lista americana de Organizações Terroristas Estrangeiras — conhecida pela sigla FTO. O que falta agora é apenas a assinatura da Casa Branca, que diplomatas ouvidos pela imprensa brasileira descrevem como uma questão de dias, não de semanas.
O governo do presidente Lula está em alerta máximo. O chanceler Mauro Vieira ligou pessoalmente para o secretário de Estado Marco Rubio na tentativa de segurar a decisão. A visita de Lula a Washington, prevista para breve, passou a girar em torno desse tema. E o Palácio do Planalto, segundo fontes diplomáticas, sabe que a decisão dificilmente será revertida.
Para entender por que isso importa tanto, é preciso primeiro entender o que essa lista é e o que ela faz.
O que é, afinal, ser chamado de terrorista pelos Estados Unidos
Imagine que você é dono de uma empresa e seu nome cai em uma lista negra do banco central americano. De um dia para o outro, sua conta é bloqueada, nenhum banco do mundo que opere em dólares quer ter contato com você, e qualquer pessoa que te ajude com dinheiro, transporte ou equipamento pode ser presa — mesmo que seja um parente que não sabia de nada. Esse é o efeito prático de entrar na lista FTO dos Estados Unidos.
A designação tem três consequências imediatas. Primeiro, todos os ativos e contas ligados ao grupo nos EUA são congelados. Segundo, qualquer pessoa, empresa ou instituição financeira que realize negócios com o grupo pode ser processada criminalmente por "apoio material a organização terrorista" — crime que prevê até 20 anos de prisão. Terceiro, membros identificados ficam proibidos de entrar no território americano para sempre.
Mas há um quarto efeito, e é o que mais preocupa Brasília: a designação como organização terrorista abre caminho legal para que os Estados Unidos considerem as bases e operações desses grupos como alvos legítimos de ação militar — mesmo em solo estrangeiro.
Não é teoria. É o que aconteceu com grupos colombianos semanas depois de serem designados: o governo Trump intensificou ataques contra embarcações na costa da Colômbia. No México e no Equador, operações foram apresentadas como "conjuntas", mas líderes latino-americanos admitiram, nos bastidores, que a parceria era a forma de os governos locais se justificarem diante de suas populações.
O governo Trump não inventou a ideia de tratar tráfico como terrorismo. Mas a aplicou com uma velocidade e escala sem precedentes. No primeiro dia do seu segundo mandato, em janeiro de 2025, Trump assinou uma ordem executiva mandando designar cartéis e organizações criminosas transnacionais como FTOs. Em fevereiro, o secretário Rubio formalizou a designação de oito grupos, incluindo o Cartel de Sinaloa, o Cartel Jalisco Nova Geração, a MS-13 e o Tren de Aragua.
Em dezembro de 2025, o governo americano foi além. Sua Estratégia de Segurança Nacional ressuscitou explicitamente a Doutrina Monroe — aquela ideia do século 19 de que a América é dos americanos — e a reembalou como o que alguns analistas chamam de "Corolário Trump": a justificativa para intervenções na América Latina contra cartéis, migração ilegal e influência da China.
O PCC e o CV se encaixam perfeitamente nessa narrativa. Relatórios do Departamento de Estado americano apontam o PCC como uma das principais ameaças transnacionais do narcotráfico no mundo, com presença confirmada em 22 dos 27 estados brasileiros e operações ativas em Bolívia, Paraguai e outros países da região. O CV, por sua vez, é descrito como uma organização que sistematicamente enfrenta o Estado em confronto armado — algo raro até mesmo na comparação com outros grupos criminosos do mundo.
O Paraguai já se antecipou. Em outubro de 2025, o presidente Santiago Peña assinou um decreto designando PCC e CV como organizações terroristas, alegando que as facções ameaçam a soberania e a estabilidade institucional do país. A Argentina de Milei fez o mesmo. Agora, os EUA devem completar o cerco.
Os defensores da medida têm um ponto concreto: o arsenal jurídico e financeiro contra grupos criminosos comuns é muito mais limitado do que o disponível contra organizações terroristas.
Quando um grupo é apenas "crime organizado", os EUA podem aplicar sanções pelo Kingpin Act, que congela ativos de indivíduos específicos. Mas quando vira FTO, o escopo muda de figura. Agora qualquer banco que toque o dinheiro do grupo pode ser cortado do sistema financeiro em dólares. Qualquer empresa que, mesmo sem saber, pague propina a esses grupos pode ser processada. A rede de pressão financeira deixa de ser um laser apontado para líderes individuais e passa a ser uma bomba de fragmentação contra toda a cadeia de apoio.
Nos EUA, isso já produziu resultados concretos contra grupos como a MS-13. Mais de 260 membros do Tren de Aragua foram indiciados federalmente em 2025, com processos por terrorismo em vários estados americanos. O modelo de combinar designação FTO com processos criminais por "apoio material" mostrou ser eficaz para desmantelar estruturas financeiras de grupos que operavam impunemente há décadas.
Além disso, a designação facilita cooperação de inteligência. As agências e polícias americanas ganham mais margem para atuar em conjunto com agências locais quando o alvo é formalmente classificado como terrorista. Acordos de extradição ficam mais fáceis de acionar. E a pressão internacional sobre países que hospedam ou toleram esses grupos aumenta significativamente.
há problemas sérios nessa equação, e eles não devem ser minimizados.
O primeiro é conceitual. Terrorismo e crime organizado são fenômenos diferentes. O terrorismo, pela definição consagrada em tratados internacionais e pela própria lei antiterrorismo brasileira de 2016, pressupõe motivação ideológica, religiosa ou política — a intenção de espalhar terror generalizado para mudar a ordem política. O PCC e o CV querem dinheiro e território. Não querem derrubar governos; querem coexistir com eles, quando não corrompê-los. Misturar as duas categorias pode enfraquecer processos judiciais, criar confusão jurídica e abrir brechas para que advogados questionem a validade das acusações.
O segundo problema é diplomático e tem peso de soberania. O Brasil não reconhece PCC e CV como terroristas em sua própria legislação — e tem razões jurídicas sólidas para isso. A Polícia Federal se recusou a receber uma delegação americana que veio, em 2025, tentar convencer o país a adotar a mesma classificação. Ministério da Justiça e Itamaraty disseram, formalmente, que o Brasil não seguiria esse caminho. Se os EUA avançam de forma unilateral, estão essencialmente dizendo que podem redefinir o status jurídico de organizações dentro de outro país soberano, sem o consentimento desse país.
O terceiro risco é o de escalonamento. Especialistas alertam que, ao transformar criminosos em terroristas, os EUA abrem a porta para que esses grupos respondam no mesmo nível. Há um risco real de que facções que hoje operam como empresas do crime comecem a adotar táticas de insurgência — especialmente se virem suas lideranças sendo tratadas como alvos militares. Já existem registros de drones sendo usados pelo CV contra forças especiais no Rio de Janeiro. Não é improvável que a escalada continue.
A resposta é: depende do que você chama de funcionar.
O caso mais citado como sucesso é o das FARC colombianas. A guerrilha foi designada FTO pelos Estados Unidos em 1997 e permaneceu na lista por mais de duas décadas. Durante esse período, o congelamento de ativos e a pressão financeira ajudaram a cortar fontes de financiamento. Quando as FARC finalmente assinaram o acordo de paz em 2016 e se desarmaram, os Estados Unidos retiraram a designação em 2021 — reconhecendo que a ferramenta havia cumprido seu papel quando combinada com esforços diplomáticos e sociais.
Mas o caminho das FARC até a paz levou quase 60 anos, incluindo décadas de violência brutal. E a designação, sozinha, não foi suficiente: o que funcionou foi a combinação de pressão financeira, apoio americano ao Estado colombiano, e uma negociação política séria que incluiu garantias aos ex-combatentes. Quando os EUA retiraram as FARC da lista em 2021, analistas do Instituto de Paz dos EUA observaram que o rótulo terrorista havia, na verdade, complicado a implementação do acordo de paz — bancos se recusavam a fazer transações com ex-combatentes que estavam tentando se reintegrar à sociedade, mesmo depois do desarmamento.
A MS-13, designada FTO em 2025, ainda está longe de ser desmantelada — apesar das dezenas de anos de pressão americana. O Tren de Aragua, também designado em 2025, expandiu sua presença pelo continente mesmo depois da designação.
A conclusão honesta é que a designação FTO é uma ferramenta poderosa de pressão financeira e jurídica, mas não é uma solução por si só. Ela funciona melhor quando combinada com ação diplomática, investimento em segurança local e, eventualmente, algum tipo de solução política. Quando usada de forma isolada ou como instrumento de política externa agressiva, tende a escalar tensões sem resolver o problema central.
Essa é uma situação em movimento rápido, com múltiplos cenários possíveis. Aqui estão as leituras mais relevantes dependendo de quem você é:
Se você trabalha com negócios no Brasil ou com operações internacionais: A designação FTO cria riscos de compliance muito concretos para empresas que operam em regiões onde PCC e CV têm presença — que, no caso do PCC, significa 22 dos 27 estados brasileiros. Qualquer empresa com operações em dólar ou com exposição ao sistema financeiro americano precisa revisar seus processos de due diligence para garantir que não há nenhuma cadeia de pagamento, mesmo indireta, que passe por estruturas ligadas a essas organizações. O precedente com a Chiquita Brands na Colômbia é pedagógico: a empresa pagou proteção ao grupo paramilitar AUC e acabou condenada, pagando multas e indenizações por danos a vítimas.
Se você acompanha o cenário geopolítico: Observe a visita de Lula a Washington. O resultado desse encontro vai sinalizar se o Brasil consegue extrair alguma concessão dos EUA ou se a decisão é realmente irreversível. Preste atenção também ao comportamento de outros países da região — se a Argentina de Milei e o Paraguai já designaram os grupos, a pressão sobre o Brasil para seguir o mesmo caminho vai aumentar. A resistência brasileira pode se tornar um ponto de atrito nas relações bilaterais com os EUA.
Se você acompanha o debate de segurança pública: A questão central não é se PCC e CV são perigosos — claramente são. A questão é se a ferramenta jurídica do terrorismo é a mais eficaz para combatê-los, ou se ela cria mais problemas do que resolve. O histórico sugere que sanções financeiras bem direcionadas podem ser muito úteis. Mas a militarização do combate ao crime organizado no Brasil, com envolvimento de forças americanas, representaria uma ruptura sem precedentes na história da segurança pública brasileira — com consequências imprevisíveis.
O cenário que ninguém quer admitir em voz alta: Há um risco real de que essa designação não resolva nada e ainda aumente a violência no curto prazo. Se os grupos passam a ser tratados como alvos militares legítimos, e se os EUA agirem de forma unilateral como fizeram em outros países da região, o Brasil pode se ver em uma situação em que não controla as operações em seu próprio território. Isso seria, do ponto de vista da soberania nacional, um ponto sem retorno.
O que os Estados Unidos estão prestes a fazer não é simplesmente uma reclassificação burocrática. É uma mudança de paradigma sobre como o mundo trata o crime organizado brasileiro — e, por extensão, sobre quem tem autoridade para tomar esse tipo de decisão.
A ferramenta tem potencial real: cortar financiamento, complicar rotas de lavagem de dinheiro, facilitar extradições. Mas ela vem embalada em uma lógica geopolítica maior — o chamado "Corolário Trump" — que usa o combate ao crime como instrumento de controle regional.
O Brasil está diante de uma escolha difícil: resistir e arcar com o custo diplomático, ou aceitar e abrir precedente para um nível de interferência americana que vai além do que qualquer governo brasileiro aceitou historicamente. Nos próximos dias, quando a Casa Branca assinar o papel que os técnicos já prepararam, saberemos qual caminho o mundo escolheu.
Ao se cadastrar, você ganhará um passe livre de 7 dias grátis para aproveitar tudo que o 12min tem a oferecer.
Agora o 12min também produz conteúdos próprios. 12min Originals é a ferram... (Leia mais)
De usuários já transformaram sua forma de se desenvolver
Média de avaliações na AppStore e no Google Play
Dos usuários do 12min melhoraram seu hábito de leitura
Cresca exponencialmente com o acesso a ideias poderosas de mais de 2.500 microbooks de não ficção.
Comece a aproveitar toda a biblioteca que o 12min tem a oferecer.
Não se preocupe, enviaremos um lembrete avisando que sua trial está finalizando.
O período de testes acaba aqui.
Aproveite o acesso ilimitado por 7 dias. Use nosso app e continue investindo em você mesmo por menos de R$14,92 por mês, ou apenas cancele antes do fim dos 7 dias e você não será cobrado.
Inicie seu teste gratuito



Agora você pode! Inicie um teste grátis e tenha acesso ao conhecimento dos maiores best-sellers de não ficção.